Já subi ao palco de eventos como o Web Summit Rio e para plateias que vão de board de multinacional a convenção de vendas, e o padrão que aprendi é sempre o mesmo: público executivo não se engaja com "o que é IA" — ele já sabe, ou finge que sabe. Ele se engaja com o que muda na decisão dele especificamente.
Por que a keynote genérica sobre IA não funciona com esse público
A maioria das palestras de IA no mercado segue a mesma estrutura: história da tecnologia, exemplos impressionantes, previsão sobre o futuro. Funciona bem para plateia geral curiosa. Funciona mal para board e liderança sênior, porque esse público já ouviu essa estrutura em três eventos anteriores e está esperando algo que ele possa usar na próxima reunião de decisão, não apenas se impressionar de novo.
Temas que realmente engajam esse público
- Critério de decisão sobre IA, não capacidade da IA. Board quer saber como decidir onde investir, não quantos parâmetros um modelo tem.
- Risco e governança, com exemplo real. Quem responde quando um agente de IA erra em produção — pergunta que gera silêncio na sala, porque poucos têm resposta.
- Visibilidade da marca em respostas de IA generativa (GEO). Dado concreto de que 57% de 552 marcas avaliadas são invisíveis nessas respostas costuma ser o momento em que a sala inteira para de olhar o celular.
- Cases de decisão, não de ferramenta. "Como decidimos parar um projeto de IA" engaja mais que "como implementamos o projeto que funcionou" — porque board lida com decisão de parar todo dia.
"a plateia executiva não quer saber o que a IA pode fazer. ela quer saber o que ela, especificamente, deveria decidir na próxima segunda-feira."
Formato importa tanto quanto conteúdo
Para esse público, uma palestra com pergunta provocadora aberta no início — algo como "quantas das suas cem principais categorias de produto aparecem quando um cliente pergunta a uma IA generativa qual marca comprar?" — costuma gerar mais engajamento do que qualquer slide de estatística de mercado global. A régua para saber se a palestra funcionou não é aplauso, é quantas pessoas pedem uma conversa de continuidade depois — e é aí que a palestra se conecta com o trabalho de mentoria e consultoria que vem depois do palco.