Todo mês eu recebo pelo menos três convites de CEOs pedindo a mesma coisa com palavras diferentes: "preciso entender de IA, mas não tenho tempo para curso". A confusão é legítima — o mercado brasileiro empilhou tanta oferta em cima da palavra "mentoria" que ela virou sinônimo de qualquer coisa entre aula gravada e bate-papo motivacional. Não é isso que eu faço, e vale separar com precisão o que é mentoria executiva de IA antes de qualquer C-level decidir contratar uma.
O que é (e o que definitivamente não é)
Mentoria de IA para CEO não é treinamento de ferramenta. Não é o executivo aprendendo a escrever prompt melhor no ChatGPT — isso qualquer analista júnior resolve em uma tarde de YouTube. Também não é curso, porque curso tem currículo fixo e a operação da sua empresa não segue currículo de ninguém. E não é consultoria tradicional, onde uma equipe entra, faz diagnóstico, entrega PowerPoint de 80 slides e sai — eu trato dessa diferença específica em outro texto, mas o resumo é: consultoria entrega relatório, mentoria constrói critério na cabeça de quem decide.
O formato que uso com CEOs e diretores é sessões individuais recorrentes — normalmente semanais ou quinzenais, por um ciclo de 90 dias — onde o objetivo não é "ensinar IA", é construir a capacidade do executivo de fazer as perguntas certas antes de aprovar orçamento, contratar fornecedor ou anunciar projeto de IA para o board.
Para quem essa mentoria serve
Serve para o líder que sente uma coisa muito específica: a empresa já "está fazendo IA" em algum grau — um piloto aqui, uma ferramenta ali — mas ele não consegue explicar, numa frase, qual é a tese da empresa para IA. Serve para quem precisa decidir sobre orçamento de IA sem depender 100% do que o time de tecnologia (ou o vendedor da ferramenta da vez) apresenta como verdade.
Não serve, e eu digo isso na primeira conversa, para quem quer terceirizar a decisão. Se o objetivo é "manda alguém aprender por mim e me resume depois", a mentoria não funciona — porque o valor está exatamente em quem decide desenvolver o próprio critério, não em delegar mais uma vez.
O que muda de fato em 90 dias
- Mês 1 — diagnóstico honesto: mapa real de onde a IA já toca a operação, sem o filtro otimista do slide de inovação.
- Mês 2 — critério de decisão: framework próprio para separar "vantagem competitiva real" de "redução marginal de custo que qualquer concorrente copia em um mês".
- Mês 3 — ação com governança mínima: primeiro piloto escolhido com critério, não com entusiasmo, e uma régua simples de quem responde quando um agente de IA erra.
"a mentoria não ensina prompt, ensina critério — e critério é a única coisa que sobrevive quando a ferramenta da moda muda de novo em seis meses."
Detalhe o plano completo de cada mês eu desenvolvo em outro texto sobre o plano de 90 dias. Mas o ponto central é este: passados os três meses, o CEO não fica mais "por dentro de IA" — ele fica com um critério próprio, testado na operação real da empresa, que continua funcionando mesmo quando a próxima novidade de IA aparecer.