Em agosto de 2026, publiquei os resultados da Escala Will — a primeira escala de GEO (Generative Engine Optimization) com validação acadêmica desenvolvida no Brasil e em português. O número que resumiu tudo: 57% das 552 marcas avaliadas nunca foram citadas por nenhuma das quatro principais IAs generativas quando um consumidor pediu recomendações da categoria (E-Commerce Update).

Isso não é um detalhe técnico de marketing digital. É uma mudança na forma como a decisão de compra começa. Quando alguém pergunta ao ChatGPT, ao Gemini, à Perplexity ou ao Claude "qual a melhor opção de X", a IA devolve uma lista curta — normalmente três a cinco nomes. Quem não está nessa lista não perde posição: perde a disputa antes de ela existir.

O que o estudo mediu

A Escala Will avaliou 552 marcas em 22 setores da economia brasileira, com 6.611 consultas reais aos quatro modelos de IA mais usados no país. As perguntas nunca citavam a marca diretamente — a própria IA decidia quem entrava na resposta, exatamente como um consumidor real faria. Cada resposta foi registrada com validação cruzada e protocolo pré-registrado no Open Science Framework (OSF), disponível para auditoria de qualquer pesquisador.

O resultado organiza as marcas em cinco faixas, do W-Score 0 a 100: Invisível, Sombra, Coadjuvante, Referência e Autoridade. Apenas 35 marcas — 6% do total — alcançaram a faixa máxima, Autoridade. Quase metade delas de origem estrangeira.

Por que isso não é apenas "mais um índice de marketing"

Duas coisas separam a Escala Will de um raio-x qualquer:

  • A pergunta nunca menciona a marca — a citação é orgânica, como qualquer consumidor faria.
  • O protocolo é auditável: cada resposta tem registro criptográfico, e o desenho do estudo está publicado com licença aberta.

Isso importa porque estamos entrando em uma fase em que decisões de compra, de contratação e de fornecedor passam por uma IA antes de passar por um humano. Se a marca não está no radar da IA, ela está perdendo demanda que nunca vai aparecer em nenhum relatório de tráfego do site — porque o consumidor nunca chegou a clicar em nada.

"estar ou não na resposta da ia virou questão de sobrevivência para a marca. quando a ia devolve cinco nomes, quem ficou de fora saiu da disputa antes de a avaliação de compra começar — e a maioria das empresas ainda não mede isso."

O que fazer com esse número

Primeiro, medir. A maioria das empresas brasileiras não sabe seu próprio W-Score — não porque o dado não exista, mas porque ninguém perguntou à IA da forma certa. Segundo, entender que GEO não substitui SEO: são disciplinas complementares, com regras diferentes, que convivem na mesma estratégia de marca. E terceiro, tratar isso como agenda de liderança, não como projeto isolado de marketing — porque a decisão de investir ou não em visibilidade para IA é, hoje, uma decisão estratégica de negócio.